Estava eufórica porque era moça já é podia trabalhar.
O trabalho era ser babá de 02 crianças que a mãe trabalhava na Fábrica Santa Maria e eu ficaria cuidando deles.
Tinha que morar no emprego porque a mulher entrava as 5 da manhã na fabrica.
No primeiro dia tudo bem.
Meu pai passou de manhã na calçada, que era trajeto dele para ir ao trabalho.
No segundo dia meu pai passou de novo, mas aí a coisa tinha mudado de figura.
Me informou que eu teria que ir embora, que minha mãe não poderia ficar sem eu e tinha dado maior trabalho a noite.
Ela havia desmaiado( como sempre fazia) e dado trabalho para ele e as tias, que eram vizinhas.
Motivo: Se eu não abandonasse o trabalho ela teria as famosas possessões demoníacas e ia morrer.
E lá vou eu deixar a patroa na mão e ir embora a tarde para casa.
De tanto conviver com essa paranoia de desmaiar e "receber" os tais espíritos acho que peguei nojo disso.
E era sempre o "pai e a mãe dela" ¹alertando que se a gente não fizesse os gostos dela ela morreria.
Os tais espíritos levariam ela com eles.
E meu pai se desesperava e corria fazer os gostos dela.
Foi uma forma que ela encontrou para fugir da opressão masculina e ser paparicada.